Os artifícios da voz: Francisco de Paula Brito e a Sociedade Petalógica

  • Bruno Guimarães Martins Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

Evitando a dicotomia entre oralidade e escrita, perseguimos na historiografia da imprensa e da literatura por indícios da “voz” ou da “palavra”, assim como sugerido por Paul Zumthor e Michel de Certeau. Para tanto investigamos como o editor pioneiro Francisco de Paula Brito (1809-1861) que desejamos caracterizar como editor a voz, transfigurando-a da polifonia cotidiana para os impressos oitocentistas, especialmente ao publicar os relatos das famosas sessões da “Sociedade Petalógica” entre 1853 e 1858. Com o artifício das petas (mentiras), os membros desta divertida sociedade visavam “contrariar os mentirosos, mentindo-lhes”, o que verdadeiramente tratava-se de uma ação política indireta. Ao analisar este exemplo sociabilidade literária, pretendemos demonstrar que as condições de edição e performance do texto são relevantes para traçar relações entre literatura e realidade cotidiana, especialmente se pensarmos nas condições pouco propícias para a disseminação do texto literário em meados do século XIX.

Publicado
Dez 9, 2016
Como Citar
MARTINS, Bruno Guimarães. Os artifícios da voz: Francisco de Paula Brito e a Sociedade Petalógica. Tríade: Revista de Comunicação, Cultura e Midia - ISSN 2318-5694, [S.l.], v. 4, n. 8, p. 135-149, dez. 2016. ISSN 2318-5694. Disponível em: <http://periodicos.uniso.br/index.php/triade/article/view/2738>. Acesso em: 29 abr. 2017.

Palavras-chave

Comunicação; Cultura; Mídia