Midiatização, alteridade e o rosto do outro: de L-Word a Zanele Muholi

  • Juliana Rocha Franco Universidade do Estado de Minas Gerais
  • Adriana Agostini Assembléia Legislativa de Minas Gerais - ALMG
Palavras-chave: Alteridade. Ethos. Mídia. Visibilidade lésbica.

Resumo

Quais implicações de um ethos mediatizado na configuração das sexualidades minoritárias (lésbicas, por exemplo)? De que forma a midiatização também das diversidades sexuais estaria orientando ou influenciando nas práticas sociais? Dentro desse contexto, é possível afirmar que as imagens lésbicas em circulação têm sido moldadas por elementos que, apresentados em processos de mediação, mais especificamente a partir da interação mediatizada por algum dispositivo, adéquam-se à lógica do ethos midiatizado defendida por Sodré. Ao se indagar sobre quais as implicações de um ethos tecnológico, norteador da ética, do estilo de conduta diante de si e do outro, o artigo propõe dois exercícios de olhar para momentos mediáticos específicos: um que efetua a redução do outro ao mesmo, encarnado pela série de Tv L-word e outro, o trabalho Faces e Fases de Zanele Muholi, se coloca como manifestação, aparição e apresentação do outro em um contexto social e político que é crítico e que permite a criação de novas formas de existência.

Biografia do Autor

Juliana Rocha Franco, Universidade do Estado de Minas Gerais

Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo  – PUCSP. Professora da Universidade do Estado de Minas Gerais e do Programa de Pós Graduação em Cognição,Tecnologias e Instituições. 

Adriana Agostini, Assembléia Legislativa de Minas Gerais - ALMG

Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.

Jornalista e servidora da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

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Publicado
2018-05-05