Violência e escola

os fios narrativos que conduziram o noticiário do massacre em Suzano

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22484/2318-5694.2021v9n22p80-102

Resumo

Ocorrências como as de Columbine, Realengo e Suzano colocaram a violência escolar em evidência midiática. A mídia hegemônica brasileira, ao reportar eventos desta natureza, recorre ao jornalismo factual, e em nome da objetividade, desconsidera problematizações importantes. Este artigo objetivou analisar as narrativas midiáticas sobre o episódio ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil, Suzano (SP), tendo como referência o portal de notícias G1. A fim de discutir os sentidos produzidos pelas narrativas desse portal, foi realizada uma análise hermenêutica com ênfase nos silenciamentos e marcas de espetacularização. Para contrastar formas de construção narrativa, o portal do EL País serviu de contraponto por sublinhar subjetividades e maior profundidade sobre o fato. O fio condutor de análise foi a abordagem noticiosa centrada nos executores dos disparos, que permitiram identificar que o G1 desprezou aspectos políticos, sociológicos e psicológicos sobre o evento, a escola e seus sujeitos.

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Biografia do Autor

Lilian Bartira Santos Silva, Universidade Federal da Bahia

Jornalista, Educadora, Pesquisadora. Doutoranda em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Linha: Currículo e (In)Formação. Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará - UFC. Linha de pesquisa: Mídia e práticas socioculturais. Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2007). Integrante do Grupo de Pesquisa - GEC: Educação,Comunicação e Tecnologias. FACED/UFBA

Edinei Garzedin, Universidade Federal da Bahia

Possui graduação em Licenciatura em Letras - DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS I (1991). Trabalhou como professor de ensino fundamental - Colégio Antônio Vieira de 1992 a 2017. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa. Especialista em Organização do Trabalho Pedagógico - Gestão, Orientação e Coordenação Pedagógica. Especialista em Psicomotricidade. Psicopedagoga Clínica e Institucional. É co-autora do projeto de pesquisa Duplo Nascer: Leituras da constituição e da Psicopatologia da relação primordial mãe-bebê por meio de indicadores clínicos. integrante do Grupo Corpo - UFBA. Licenciada em Pedagogia. Professora de psicomotricidade em cursos de Psicopedagogia e Pedagogia. Mestranda em Educação - orientada pelo prof. Dr. Bruno Otávio de Lacerda Abrahão - UFBA, com o trabalho "COMO SE FORA BRINCADEIRA DE RODA: A CAPOEIRA COMO EXPERIÊNCIA DO LAZER DE CRIANÇAS SOTEROPOLITANAS.

Maria Helena Bonilla, Universidade Federal da Bahia

possui graduação em Ciências, Licenciatura de Primeiro Grau, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1985), graduação em Ciências, Licenciatura Plena, Habilitação em Matemática, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1988), mestrado em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1997), doutorado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2002), com estágio de pós-doutorado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011). Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFBA, de 2013 a 2017. Atualmente é professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, líder do Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de professores, inclusão digital, software livre e políticas públicas.

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Publicado

2022-02-08

Como Citar

Santos Silva, L. B., Garzedin, E., & Bonilla, M. H. (2022). Violência e escola: os fios narrativos que conduziram o noticiário do massacre em Suzano. Tríade: Comunicação, Cultura E Mídia, 9(22), 80–102. https://doi.org/10.22484/2318-5694.2021v9n22p80-102