Diabetes e discriminação racial
Pacientes negros têm menos acesso ao exame dos pés do que os brancos, aponta pesquisa
Resumo
Em 2004, Clarice Nunes Bramante, enfermeira, começou a trabalhar num ambulatório especializado em feridas e pés diabéticos no município de Sorocaba, no qual permaneceria atuando até 2019. Ela atendeu muita gente durante esses anos, mas houve um paciente em especial, em 2006, que marcou sua memória: um homem preto, morador de rua, que chegou ao ambulatório com um dos pés embrulhado numa sacola de supermercado. “Quando cheguei para trabalhar, ele já estava sentado do lado de fora do hospital há horas, aguardando para ser atendido”, ela conta. “Perguntei se ele precisava de alguma coisa e ele, que era diabético, respondeu que só queria trocar o curativo da ferida em seu pé. Pedi para ele entrar e realizei o procedimento. Ele ainda voltou para diversas outras consultas, até a cicatrização da úlcera.”