Empreendedorismo Social LGBT

como a formação de redes e iniciativas colaborativas pode atuar na resolução de dilemas sociais baseados em sexualidade e identidade de gênero

  • Felipe Petik Pasqualotto UFSV
  • Patrícia de Sá Freire UFSC
  • Marília Matos Gonçalves UFSC
Palavras-chave: Empreendedorismo Social, LGBT, Colaboração, Sexualidade, Rede

Resumo

Se foi através do consumo que o público LGBT pode expressar suas identidades, ainda são escassos os trabalhos que exploram a convergência entre práticas de mercado e questões de sexualidade e identidade de gênero. Frente a persistente estigmatização social enfrentada por LGBTs cabe pensar de que forma o consumo pode auxiliar na resolução de seus dilemas sociais. É na associação do empreendedorismo com o público LGBT, que este trabalho objetiva: (1) definir a atuação do empreendedorismo social, para (2) compreender como iniciativas empreendedoras podem atuar em questões de sexualidade e identidade de gênero. Por meio de uma revisão bibliográfica, o trabalho busca fundamentar teoricamente o empreendedorismo de cunho social e identificar os dilemas sociais do público LGBT. No intuito de coordenar teoria e prática apresenta-se como estudo de caso o projeto “ABC do LGBT”. Do objeto de estudo analisa-se os pontos chave de sua estruturação - com uso da ferramenta CANVAS, em busca de possíveis conexões entre os temas teóricos apresentados. Foi identificada a necessidade de uma maior transversalidade das práticas mercadológicas de cunho social e os desafios metodológicos da aplicação de tais modelos em iniciativas voltadas para as questões de sexualidade e identidade de gênero. Entre as conclusões destaca-se a importância do estabelecimento de redes de parcerias e iniciativas colaborativas forte o suficiente para gerar engajamento tanto no grupo de trabalho em si - no estabelecimento do negócio, quanto da sociedade como um todo - na percepção do benefício gerado pela iniciativa e sua relevância.

Biografia do Autor

Patrícia de Sá Freire, UFSC

Professora do Departamento de Engenharia do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Programa de Pós Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento/ UFSC (2013). Mestre em EGC/UFSC (2010). Autora de dois livros e mais de 60 artigos científicos publicados em congressos nacionais e internacionais, periódicos e capítulos de livros, destacando a coautoria de dois capítulos da obra Interdisciplinaridade em Ciência Tecnologia & Inovação contemplada com 2º lugar no Prêmio Jabuti, na categoria Educação no ano de 2011. Por dois anos seguidos 2011 e 2012 foi escolhida como um dos cinco executivos de excelência em Gestão do Conhecimento no Brasil pelo MAKE Award Brasil. Ganhou o primeiro lugar geral do Prêmio de Mérito Acadêmico do Programa de Pós Graduação EGC/UFSC em 2009 e o primeiro prêmio para a área de gestão do conhecimento em 2010. Possui graduação em Pedagogia, com habilitação em Tecnologias da Educação, pela PUC/RJ (1986). É especialista em Marketing pela ESPM/RJ(1987) e em Psicopedagogia pela UCB/RJ (2006). Atualmente é líder do Grupo de Pesquisa ENGIN Núcleo de Engenharia da Integração e Governança do Conhecimento para a Inovação e pertence aos Grupos IGTI (Núcleo de Inteligência, Gestão e Tecnologia para a Inovação/UFSC) e, do KLOM(Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Memória Organizacional/UFSC). É membro do Conselho Editorial do International Journal of Knowledge and Management (IJKEM). O foco das pesquisas, ensino e extensão tem sido Universidade Corporativa em Rede; Engenharia da Integração de ativos do conhecimentos intra organizacional, interorganizacional e entre universidades e empresas, levando-se em consideração as práticas, técnicas e ferramentas de gestão colaborativa para a implantação da Governança do Conhecimento. Estes estudos envolvem constructos como a cultura, liderança e tecnologias interativas; aprendizagem e memória organizacional; ativos intangíveis/capital intelectual, capacidade absortiva, entre outros. Para as Universidades, especificamente, percebendo-a como importantes parceiras da tríplice hélice da inovação, o foco tem sido a inter e transdisciplinaridade; a otimização do processo de produções científicas de qualidade e os programas de extensão para a cocriação e coprodução entre universidade-empresa.

Marília Matos Gonçalves, UFSC

Possui graduação em Licenciatura em Educação Artística (Desenho) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (1995), graduação em Bacharel em Design – habilitação em Design Gráfico pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005), mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (1999) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005). Atualmente é professor adjunto iii da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: hipermídia, design, design gráfico, acessibilidade e moda. Atua nos Grupos de Pesquisa: Núcleo de Acessibilidade Digital e Tecnologias Assistivas e LOGO – Laboratório de Orientação da Gênese Organizacional.

Referências

ALVES, JA Lindgren. A Conferência do Cairo sobre População e Desenvolvimento e o paradigma de Huntington. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 12, n. 1/2, p. 3-20, 2014.
BARKI, Edgard. Negócios de Impacto: tendência ou modismo? GVexecutivo, São Paulo, vol. 14, n.1, p.14-17, 2015
BENTO, Berenice. Quando o gênero se desloca da sexualidade: homossexualidade entre transexuais. GROSSI, Miriam e SCHWABE, Elisete. Política e Cotidiano: estudos antropológicos sobre o gênero, família e sexualidade. Blumenau: Nova Letra, 2006.
BULL, M. Challenging tensions: critical, theoretical and empirical perspectives on social enterprise. International Journal of Entrepreneurial Behaviour & Research, v.14, n. 5, 268- 275, 2008.
CARRARA, Sérgio. "O sal salga, ou.." O Globo 7 (2011).
DEES, J. G. Taking social entrepreneurship seriously. Society, 44(3), p. 24–31, 2007.
DUARTE, Luiz Fernando Dias et al. Ethos privado e justificação religiosa: negociações da reprodução na sociedade brasileira. Sexualidade, família e ethos religioso, p. 137-176, 2005.
EADS, Marci L.; BROWN, Matthew C. “An Exploratory look at the financial state of the lesbian, gay, bisexual, and transgender rights movement”. Gill Foundation, 2005.
FACCHINI, Regina. Sopa de letrinhas. Movimento homossexual e produção de identidades coletivas nos anos, v. 90, p. 20, 2005.
FRY, Peter. Para inglês ver: identidade e política na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1982.
GIL, Antonio Carlos. Estudo de caso. Atlas, 2009.
GROSSI, Miriam Pillar. Gênero e parentesco: famílias gays e lésbicas no Brasil. cadernos pagu, v. 21, n. 24, p. 261-280, 2003.
MACRAE, Edward. A construçäo da igualdade: identidade sexual e política no Brasil da abertura. Unicamp, 1990.
MARTIN, Roger L.; OSBERG, Sally R. Dois fatores-chave para o empreendedorismo social sustentável. Harvard Business Review Brasil, 2015.
MISKOLCI, Richard. Pânicos morais e controle social. cadernos pagu, v. 28, p. 101-128, 2007.
MELLO, Luiz. Novas famílias: conjugalidade homossexual no Brasil contemporâneo. Editora Garamond, 2005.
MOREIRA, P.; URRIOLAGOITIA, L. El emprendimiento social. IN: Revista Española del Tercer Sector,. v.17, p. 17-40, Janeiro/Abril, 2011.
NICHOLLS, A. Social Entrepreneurship: New paradigms of sustainable social change. Oxford: Oxford University Press. 2006.
NESsT. End of the Rainbow: Increasing the sutainability of LGBT organizations through social enterprise, 2008. Disponível em: https://issuu.com/nesster/docs/end_of_the_rainbow
NUNAN, Adriana. Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Caravansarai, 2003.
OLIVEIRA, E. M.. Empreendedorismo social no Brasil: fundamentos e estratégias. 2004. Tese (Doutorado)- Universidade Estadual Paulista - Unesp, Franca, 2004.
OLIVEIRA, E. M.. Empreendedorismo Social: da teoria à prática, do sonho à realidade: ferramentas e estratégias. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2008.
OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation: a handbook for visionaries, game changers and challengers. Wiley John & Sons, 2010.
POTENZA, M. A. T.; A empresa Social na Visão de Muhamad Yunnus. In: XXI Congresso Nacional Conpedi/ UFF, 2012, Niterói. O Novo Constittucionalismo Latino Americano: desafios da sustentabilidade. Florianopolis: FUNJAB, 2012. p. 30-52.
RIOS, Roger Raupp. O conceito de homofobia na perspectiva dos direitos humanos e no contexto dos estudos sobre preconceito e discriminação.Rompendo o silêncio: homofobia e heterossexismo na sociedade contemporânea, p. 27-48, 2007.
RIOS, Roger Raupp; GOLIN, Célio; LEIVAS, Paulo Gilberto Cogo. Homossexualidade e direitos sexuais: reflexões a partir da decisão do STF.Porto Alegre: Sulina, 2011.
ROSOLEN, Talita. TISCOSKI, Gabriela Pelegrini. COMINI, Graziella Maria. Empreendedorismo Social e Negócios Sociais: Um Estudo Bibliométrico da Publicação Nacional e Internacional. IN: Empreendedorismo com foco em negócios sociais (Santana, Ana Lúcia Jansen de Mello de. Souza, Leandro Marins de. (Organizadores). Curitiba: NITS UFPR, 2015. p.140-163
RUBIN, Gayle. Pensando sobre sexo: notas para uma teoria radical da política da sexualidade. Cadernos pagu, v. 21, p. 01-88, 2003.
SHIRKY, Clay. A cultura da participação. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
TREVISAN, João Silvério. Devassos no paraíso: a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade. In: Devassos no paraíso: a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade. Record, 2000.
UZIEL, Anna Paula. Homossexualidade e adoção. Editora Garamond, 2007.
VENTURA, Miriam et al. Direitos sexuais e reprodutivos na perspectiva dos direitos humanos: síntese para gestores, legisladores e operadores do Direito. Rio de Janeiro: ADVOCACI, 2003.
VIANNA, Adriana; LACERDA, Paula. Direitos e políticas sexuais no Brasil: o panorama atual. Cepesc, 2004.
VIOTTI, Maria Luiza Ribeiro. Declaração e a plataforma de ação da IV Conferência Mundial sobre a mulher: pequim 1995. Frossard H. Instrumentos internacionais de direitos das mulheres. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, p. 15-25, 2006.
YIN, Robert K. Estudo de Caso-: Planejamento e Métodos. Bookman editora, 2015.
YUNUS SOCIAL BUSINESS (Santa Catarina). Representante Regional (Org.). Palestra de lançamento “Yunus Social Business Santa Catarina”. Florianópolis: Yunus Social Business, 2016. 32 slides, color, 25x20cm.
Publicado
2017-12-11