“Todos os relatos doem em quem lê”

narrativas quase anônimas de uma travesti marginal no Facebook

  • Alisson Machado Universidade Federal de Santa Maria
  • Sandra Rubia da Silva UFSM

Resumo

O artigo apresenta uma reflexão sobre a construção discursiva e interacional de práticas, saberes e contextos de vida marginalizados, que ganham uma versão pública, discutível e reconhecível nos ambientes de interação das redes sociais digitais. Através dos conteúdos postados e das interações observadas na página Travesti Marginal, no Facebook, o artigo interpreta as dinâmicas e as conjunturas de significados ali estabelecidos, pensando a forma como a intimidade, a marginalidade e a subalternidade dos contextos de vida das prostitutas travestis assumem uma dimensão pública nas dinâmicas dos compartilhamentos. As interações consolidam-se como um espaço de discussão e resistência frente às formas de opressão e violência a que as travestis são submetidas. A pesquisa aponta para as redes de apoio e solidariedade e para as formas de subjetivação que se estabelecem nessas interações, mobilizadas pelas violências e pelo sofrimento que caracterizam a maioria das postagens. Além disso, faz-se uma reflexão sobre como a experiência pessoal das travestis autoriza essa produção discursiva, calcada na noção de experiência como ato cognitivo, ao mesmo tempo em que interdita a articulação de outras temáticas. 

Publicado
Dez 11, 2017
Como Citar
MACHADO, Alisson; DA SILVA, Sandra Rubia. “Todos os relatos doem em quem lê”. Tríade - Revista de Comunicação, Cultura e Mídia, [S.l.], v. 5, n. 10, p. p.33 - p.48, dez. 2017. ISSN 2318-5694. Disponível em: <http://periodicos.uniso.br/ojs/index.php/triade/article/view/3087>. Acesso em: 23 jan. 2018. doi: http://dx.doi.org/10.22484/2318-5694.2017v5n10pp.33 - p.48.