Dossiê setembro/2024 -Inteligência artificial: desafios da criação, da criatividade e da autonomia humanas

11-01-2024

Os algoritmos são fórmulas que pensam.

Construídos a partir de cálculos matemáticos, os algoritmos originam uma linguagem cujos códigos combinam-se, se associam, dando formas a criações que nada ou muito pouco se diferenciam da criação humana. A inteligência artificial (IA), nutrindo-se desses algoritmos que são a matéria-prima de circulação e de codificação da informação no mundo contemporâneo, dá origem às máquinas capazes de produzir textos, imagens, músicas etc. Entre criatividade e reprodução, o mundo algoritmo espanta pela capacidade de gerar, germinar, recriar formas.

A proposta deste dossiê é de questionar sobre essas máquinas programadas, buscando encontrar nessa língua binária da informática, nosso próprio “idioma[1]”, para utilizar o termo do filósofo francês da desconstrução, Jacques Derrida, isto é, pensar livremente, afirmar a individualidade, inventando, mais ou menos, a nossa própria linguagem, o nosso próprio idioma, na língua.  Buscar pela relação singular, única com os algoritmos, instaurando outra economia poética que nos acena para a ideia de que não estamos enclausurados na lógica algorítmica da sociedade de dados.

Alguns eixos para reflexões: 

- Modos de subversão, perturbação que tornam as comunicações e as artes insolúveis nos “0” e “1” da lógica algorítmica;

- Modos de expressão, participação e inscrição da singularidade, originalidade e autonomia humana face às máquinas generativas automáticas;

- Modos de exploração dos algoritmos como instrumento capaz de aumentar a capacidade de criação humana e de permitir ao humano explorar zonas até então inexploráveis da criatividade;

- Modos de integração da IA no campo educacional, levando em conta desafios e oportunidades para a formação humana e a autonomia.

 

 

 

DERRIDA, Jacques. Le monolinguisme de l’autre. Paris: Galilée, 1996.