Amazônia e o poder simbólico das ONGs transnacionais

análise dos sentidos discursivos nos textos institucionais do Greenpeace e WWF

  • Jonas da Silva Gomes Jr UFAM
Palavras-chave: Imaginário, Poder Simbólico, Amazônia. Discurso, ONGs Transnacionais

Resumo

Este trabalho analisa diferentes aspectos do poder simbólico nos discursivos das ONGs Greenpeace e WWF sobre a Amazônia. Utilizou-se a Análise do Discurso da linha francesa como eixo teórico-metodológico, sendo empregada para examinar o movimento interno dos textos, não-ditos, questões ideológicas, saliências ou apagamentos, reveladores dos posicionamentos dos sujeitos enunciadores. Durante o processo de análise discursiva de cinco textos diferentes, notou-se que os sentidos de Amazônia efetivam-se por meio de diversas formas de poder simbólico. Os resultados da pesquisa apontam que as ONGs Transnacionais Ambientalistas Greenpeace e WWF, utilizando-se de vários recursos discursivos, buscam demonstrar seu poder simbólico e produzir imagens da Amazônia de acordo com as suas perspectivas de mundo e impor a aceitação globalizada dessa imagem como realidade.

Biografia do Autor

Jonas da Silva Gomes Jr, UFAM

Doutor em Sociedade e Cultura na Amazônia e Mestre em Ciências da Comunicação pela pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Especialista em Marketing Empresarial pelo Departamento de Administração (FES-UFAM) e Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas (UFAM). Também possui graduação em Tecnologia de Produção Publicitária pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM). Sua Tese de Doutorado intitulada ?ONGs Transnacionais e os Sentidos de Sustentabilidade Amazônica: imaginário, discurso e poder? conquistou o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional (2017). Atualmente, é professor do Curso de Relações Públicas da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da UFAM. Tem interesse nos seguintes temas: Sociedade e Cultura Amazônica, Comunicação e Sustentabilidade, Cibercultura, Comunicação Organizacional e Relações Pública

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Publicado
2018-09-05
Seção
ARTIGOS - Outras Perspectivas