Narrativa jornalística e conhecimento

crítica à ciência incapaz de dialogar com outras formas e práticas de conhecimento

Palavras-chave: Jornalismo, Narrativa, Conhecimento, Compreensão, Método

Resumo

Erigida pelo positivismo em única responsável legítima por todo conhecimento verdadeiro, em dona absoluta e divina de todo saber, a ciência, quando assim entendida, acaba por perder força e vitalidade ao não se deixar fertilizar pelo diálogo com o mito e a filosofia, a arte e os saberes comuns, as experiências humanas, o imanente e o transcendente..., isto é, com outras formas e práticas de conhecimento. Neste texto, a crítica ao cientificismo busca como resultado a recomposição de um espaço possível para o reconhecimento da narrativa jornalística como parte do esforço de compreensão do mundo, no âmbito de uma discussão sobre o jornalismo como forma de conhecimento. Metodologicamente, o suporte em referências bibliográficas se soma ao exame de textos jornalísticos de cujo potencial cognitivo é raro se poder duvidar. De natureza reflexiva e conversacional, o texto namora com a proposta compreensiva do ensaio e com as potencialidades da linguagem jornalística.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renata Carraro, Escola Superior de Propaganda e Marketing

Professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e das Faculdades Integradas Rio Branco (FRB). Possui graduação em Jornalismo (1992) e em Direito (1993) e mestrado (1998) e doutorado (2019) em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)

Dimas Künsch, Universidade Metodista de São Paulo

É professor titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da
Universidade Metodista de São Paulo. Possui graduação em Filosofia (1977) e em Teologia (1984), mestrado em Integração da América Latina (1998) e doutorado (2004) em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP).

Referências

ADORNO, Theodor W. O ensaio como forma. In: COHN, Gabriel e FERNANDES, Florestan (Orgs.) Theodor W. Adorno. São Paulo: Ática, 1986, p. 167-187.

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

ARENDT, Hannah. Compreensão e política (As dificuldades da compreensão). In: Compreender: formação, exílio e totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008, p. 330-346.

ARENDT, Hannah. Homens em tempos sombrios. São Paulo: Companhia das Letras, 2008a.

BRUM, Eliane. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2006.

DIAFÉRIA, Lourenço. Herói. Morto. Nós. Folha de S.Paulo, 1 set. 1977. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/folha/80anos/tempos_cruciais-02a.shtml>. Acesso em: 10 out. 2018.

GENRO, A. O segredo da pirâmide: para uma teoria marxista do jornalismo. Porto Alegre: Tchê, 1987.

HERSEY, John. Hiroshima. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

KUNSCH, Dimas A. O Eixo da Incompreensão: a guerra contra o Iraque nas revistas semanais brasileiras de informação. Tese de Doutorado. São Paulo, ECA/USP, 2004.

KÜNSCH, Dimas A.; MARTINEZ, Monica. Histórias de vida produzidas por jornalistas-escritores: uma experiência. Communicare, v. 7, p. 31-41, 2007.

KUNSCH, Dimas A. e CARRARO, Renata. A comunicação sob o signo da compreensão: o protesto do ensaio contra a chatice e a arrogância do discurso científico dominante. Trabalho apresentado ao GT Teorias da Comunicação durante o XXXIV Congresso da Intercom (Recife, PE, 2 a 6 de setembro de 2011).

LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura. 4ª. edição. Barueri/SP: Manole, 2009.

MEDINA, Cremilda; LEANDRO, Paulo Roberto. A arte de tecer o presente: jornalismo interpretativo. São Paulo: Edição dos Autores, 1973. MEDINA, C. Notícia, um produto à venda: jornalismo na sociedade urbana e industrial. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978.

MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente: narrativa e cotidiano. São Paulo: Summus, 2003.

MEDINA, Cremilda de Araújo. Entrevista: o diálogo possível. 2. ed. São Paulo: Ática, 1990.

MEDINA, Cremilda. Ciência e jornalismo: da herança positivista ao diálogo dos afetos. São Paulo: Summus Editorial, 2008.

MEDITSCH, E. O conhecimento do jornalismo. Florianópolis: Editora da UFSC, 1992

MEDITSCH, Eduardo. O jornalismo é uma forma de conhecimento? Set. 1997. Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/meditsch-eduardo-jornalismoconhecimento.html>. Acesso em: 17 out. 2018.

MORIN, E. Os meus demônios. Mem Martins: Publicações Europa-América, 1995.

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Mem Martins, Portugal: Publicações Europa-América, 1983.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1989.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez Editora, 2004.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A filosofia à venda, a doutra ignorância e a aposta de Pascal. In: SANTOS, B. S.; MENESES, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez Editora, 2010, p. 519-562.

SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez Editora, 2010.

SUZUKI, Jr., Matinas. Jornalismo com H. In: HERSEY, John. Hiroshima. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 161-175.

Publicado
2019-08-10
Como Citar
Carraro, R., & Künsch, D. (2019). Narrativa jornalística e conhecimento. Tríade: Comunicação, Cultura E Mídia, 7(15), 63-82. https://doi.org/10.22484/2318-5694.2019v7n15p63-82
Seção
ARTIGOS - Outras Perspectivas