A luta decolonial de professores militantes da causa negra em contextos de colonialidade germânica

Palavras-chave: Professores negros, Docência/militância, Colonialidade.

Resumo

Neste artigo, baseado na análise de falas de professoras e professores negros de escolas públicas municipais da cidade de Novo Hamburgo/RS, militantes da causa negra, mostra-se a potência do seu movimento/fazer pedagógico quanto à produção de tensionamentos em relação a pretensas bases epistemológicas universalistas e, ao mesmo tempo, de construção de possibilidades de práticas educativas multi/interculturais críticas. A produção de dados foi feita mediante a prática de entrevista interativa e as análises foram tecidas como articulação dos campos teórico-metodológicos dos estudos étnico-raciais e dos estudos do grupo modernidade/colonialidade. Concluiu-se que, embora já haja conquistas, em diferentes frentes – espaços de participação e de reconhecimento, garantindo maior visibilidade à negritude em Novo Hamburgo – torna-se importante manter as apostas em atividades decoloniais mais continuadas.

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Biografia do Autor

Benício Backes, Universidade Feevale

Possui graduação em filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mestrado em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutorado em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco. Atualmente é professor da Universidade Feevale. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: docência, educação e trabalho, estudos culturais, (de)colonialidade, ética e saberes docentes.

José Licínio Backes, Universidade Católica Dom Bosco - UCDB

Universidade Católica Dom Bosco - UCDB. Professor do PPGE/UCDB e PPGPSI/UCDB.

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Publicado
2019-12-10
Como Citar
BACKES, B.; BACKES, J. L. A luta decolonial de professores militantes da causa negra em contextos de colonialidade germânica. Quaestio - Revista de Estudos em Educação, v. 21, n. 3, p. 965-989, 10 dez. 2019.
Seção
Artigos de Demanda