Escola

presença obrigatória da corporeidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22483/2177-5796.2020v22n3p657-668

Palavras-chave:

Corporeidade, Escola, Fenomenologia

Resumo

A educação formal, ao longo do tempo, esteve e ainda está centrada numa aprendizagem que focaliza especialmente a cabeça do aluno, disseminando conceitos, definições e fórmulas, que devem ser memorizados, pois, ato contínuo, são avaliados através de provas. Neste sentido, o paradigma newtoniano/cartesiano permanece hegemônico no interior das escolas, e nestas, o corpo do aluno é tolerado e em muitas situações reprimido por dificultar a aprendizagem cognitiva. O presente texto, caracterizado como reflexivo, estabelece como condição sine qua non para o ato educativo a presença da corporeidade na escola, entendida mais como uma atitude do que como um conceito, estabelecendo diretrizes para uma aprendizagem de corpo inteiro. Também tem esta reflexão o foco de reunir vários pensadores e professores que produziram textos e pesquisas no sentido de fomentar a presença`a de termos como corporeidade, motricidade, corpo sujeito e tantos outros de suma importância para a ação educativa na escola. O suporte epistemológico centra-se na fenomenologia, em especial em Merleau-Ponty porque este autor indica que corpo não é objeto nem ideia, mas sim, expressão do ser humano que se move e vive.

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Biografia do Autor

Wagner Wey Moreira, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Possui graduação em Educação Física pela Universidade Metodista de Piracicaba, graduação em Pedagogia Habilitação em Administração e Orientação Educacional pela Faculdade de Educação Osório Campos-RJ, graduação em Pedagogia, Habilitação em Supervisão Escolar pela Faculdade de Educação Dom Bosco, mestrado em Educação (Filosofia) pela Universidade Metodista de Piracicaba, doutorado em Educação (Psicologia Educacional) pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é professor do Curso de Graduação em Educação Física e do Curso de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Federal do Triangulo Mineiro. E Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq na área de Educação.

Alexandre Magno Guimarães , Universidade Federal do Amapá

Graduado em Educação Física (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP; Especialista em Educação Física Escolar pelo Centro Universitário Claretiano de Rio Claro; Mestre em Educação Física pela Universidade Federal do Triangulo Mineiro, Linha Formação e Ação Profissional em Educação Física e Esportes. Membro do Grupo de Pesquisa NUCORPO - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Corporeidade e Pedagogia do Movimento. Atualmente é professor na Universidade Federal do Amapá.

Marcus Vinicius Simões de Campos , Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Graduado em Ciências do Esporte pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - Campus Limeira e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM. Foi Bolsista de Iniciação Cientifica do CNPq. Atualmente é aluno regular do programa de Doutorado da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

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Publicado

2020-12-23

Como Citar

MOREIRA, W. W. .; GUIMARÃES , A. M. .; CAMPOS , M. V. S. de . Escola: presença obrigatória da corporeidade. Quaestio - Revista de Estudos em Educação, [S. l.], v. 22, n. 3, p. 657–668, 2020. DOI: 10.22483/2177-5796.2020v22n3p657-668. Disponível em: http://periodicos.uniso.br/ojs/index.php/quaestio/article/view/3902. Acesso em: 16 abr. 2021.

Edição

Seção

Dossiê - Educação Física Escolar