Entre o controle e a exposição da intimidade
uma análise sobre estupro virtual e violência de gênero em ambientes digitais
DOI:
https://doi.org/10.22484/2177-5788.2026v52id5844Palavras-chave:
estupro virtual, tecnobiopoder , voyeurismo agressivoResumo
Este artigo analisa as dinâmicas do estupro virtual, tomando como objeto as formas contemporâneas de violência sexual mediadas por tecnologias digitais. A partir de uma abordagem comunicacional e da sociologia digital, investiga-se como plataformas e artefatos tecnológicos operam como agentes de vigilância, coerção e exposição, potencializando práticas de dominação e controle sobre corpos de meninas e mulheres. Mobilizando conceitos como tecnobiopoder, voyeurismo agressivo e pornotopia, discute-se como a ameaça de exposição pública se converte em mecanismo de submissão e humilhação. Com base na análise de 35 casos reportados pela imprensa brasileira entre 2017 e 2023, argumenta-se que o estupro virtual não constitui um desvio, mas uma reconfiguração qualitativa das formas de coerção associadas às violências de gênero. Tais processos são marcados pela centralidade da visibilidade, pela permanência dos conteúdos online e pela ampliação de sua circulação, configurando uma dinâmica de violência contínua. Os resultados indicam que os homens são responsáveis pela maioria dos crimes (94,12%), enquanto a maior parte das vítimas é composta por meninas e mulheres (74,36%), evidenciando a persistência das desigualdades de gênero nesse contexto.
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