A Formação Moral na Filosofia de Rawls

  • Sidney Reinaldo da Silva
Palavras-chave: Teoria da Justiça. Desenvolvimento Moral. Ensino de Valores

Resumo

Resumo : A formação moral na obra de Rawls pode ser enfocada tanto como uma concepção filosófica e metafísica a respeito da pessoa e das suas capacidades morais de ser racional e razoável quanto como uma concepção política da mesma. Esses dois enfoques refletem as mudanças do pensamento do autor que se deram depois da publicação da obra Uma teoria da justiça (1971). As mudanças não significam que a primeira forma de conceber a formação moral da pessoa tenha sido descartada pelo autor. A partir da idéia de campo político, tal como apresentada no texto O liberalismo político, a concepção de pessoa e sua formação moral passa a ser especificada numa nova perspectiva que visa não mais ser uma visão filosófica e metafísica ou uma doutrina abrangente com pretensões fundamentalistas, mas pretende ser uma formulação politicamente autônoma, isto é, independente de qualquer concepção especifica de pessoa de um indivíduo ou de uma comunidade determinada, sem, contudo, deixar de ser reconhecida pelas diversas perspectivas sociais razoáveis como válidas e dignas de apoio. A concepção política da formação moral torna-se uma forma de modular as diversas práticas pedagógicas definindo os limites da razoabilidade das mesmas. Assim, a concepção construtivista e liberal defendida por Rawls não seria dada como a única verdadeira e por isso a única digna de ser oficialmente ensinada. Ela se torna apenas uma concepção razoável entre uma série de outras, e nenhuma delas pode tornar-se a oficial e reivindicar benefícios públicos para se manter nas escolas ou para anular o peso pedagógico das demais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Sidney Reinaldo da Silva
Doutor em Filosofia pelo IFCH/Unicamp, Professor do Mestrado em Educação da Universidade de Tuiuti
Como Citar
SILVA, S. A Formação Moral na Filosofia de Rawls. Quaestio - Revista de Estudos em Educação, v. 5, n. 1, p. p. 79-87, 11.
Seção
Estudos