Quando mais é menos, e menos é nada o problema do letramento e a educação escolar
DOI:
https://doi.org/10.22483/2177-5796.2026v28id5903Palavras-chave:
educação, letramento, linguagem.Resumo
O artigo tem como questão central o problema do letramento, especialmente suas implicações na educação escolar, em função de uso generalizado e de definição fluida, assim como do alargamento conceitual e a expansão indiscriminada da aplicação do termo, advindos da percepção ora instrumental ora idealista de educação e conhecimento. A tese que se sustenta é a de que a ideia de letramento foi disseminada no universo acadêmico e pedagógico brasileiro prescindindo da crítica, em função de uma oscilação epistemológica das ciências humanas. O que se vem denominando letramento está permeado de concepções de conhecimento e de aprendizagem diversificadas, agregando vasta gama de sentidos que projetam um conceito gaseificado, inundado de dualidades e vinculados a modelos funcionais de habilidades e competências. Tratou-se de considerar os eixos fundantes do conceito conforme vieram se estabelecendo no Brasil a partir da década de 1980 e realizar levantamento de ocorrências de letramento, verificando sua inserção e seu campo de correspondência. A análise demonstra que, tal como se apresenta, a ideia de letramento disputa negativamente com os conceitos de formação e de educação, esvaziando-os e, embora se apresente como novidade, reproduz modelos não-críticos de educação, ora reforçando a perspectiva instrumental-pragmática, ora repercutindo teses liberal-idealistas. Conclui-se que a aplicação generalizada de “letramento” como saber aplicado não contribui para a educação brasileira.
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Copyright (c) 2026 Luiz Percival Leme Britto, Gisele Silva Gomes, Tiago Aquino Silva de Santana (Autor)

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